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Sílvio Cunha

Caxias, Política e Sociedade

Entre a dor e a insensibilidade


É verdade que os caxienses, os maranhenses, os brasileiros, estão travando uma guerra sem quartel contra a pandemia do Covid-19, o diminuto e letal vírus que, no espaço de pouco mais de um ano, até o presente momento, já ceifou a vida de mais de 400 mil pessoas no país, dentre as quais 321 somente em Caxias, sendo sete óbitos relacionados à doença nas últimas 24 horas.

Por mais que nossos cidadãos saudáveis tentem disfarçar e demonstrar altruísmo diante da situação, a realidade é que o medo se instalou nos quatro cantos do território municipal. Não mais apenas em relação ao que é noticiado pelos meios de comunicação, mas porque não é mais possível ignorar a toda hora a circulação de ambulâncias e de viaturas de transporte fúnebre pelas ruas da Princesa do Sertão Maranhense, como também é denominada a cidade que foi berço do grande vate nacional, o poeta Antonio Gonçalves Dias.

Tal movimentação mexe com os nervos dos mais fortes, sobretudo quando acompanhada da informação de que ali vai um amigo, um conhecido, uma conhecida, que dias antes estava em meio ao convívio da sociedade e que acabou de sucumbir também à enfermidade ou às sequelas deixadas pelo covid-19. Apavorada diante dos fatos, a comunidade clama contra a realização de festas e quer ver os bares e outros locais fechados, para que não propiciem as aglomerações que sustentam a vida do coronavírus.

Covid-19, em Caxias/MA - BOLETIM DIÁRIO – 29 04 2021 : 10.242 casos confirmados; 9.010 casos recuperados; 44.439 testes rápidos realizados; 77 internações e 321 óbitos. Feminino: 5.472 casos - Masculino: 4770 Casos 

O último impacto adveio com a morte do secretário municipal de Administração, Planejamento e Finanças, Talmir Franklin Rosa Neto, aos 55 anos, no fim da semana passada, revelando à comunidade que mesmo as pessoas com mais recursos não podem resistir à pavorosa crise sanitária, oferecendo-nos uma demonstração clara de que ela não tem qualquer tipo de preferência nem faz escolha por etnia, credo religioso, posição social ou financeira. Quer dizer: basta a pessoa baixar a guarda e não se prevenir, ignorar o recomendado nos protocolos das autoridades sanitárias, que está propensa a ser infectada e a infectar, sem saber ao certo se terá chances de sobreviver aos tratamentos disponibilizados na rede de saúde, pois, milagres, não há!

Curioso é notar-se que em meio ao temor generalizado, o ser humano seja capaz de assumir posturas indelicadas e desrespeitosas para com os que sofrem. Ao longo da semana, foi vergonhosa a série de mensagens pelas redes sociais contra o prefeito Fábio Gentil (Republicanos) e sua família. Nunca se viu tantas pregações contra o luto de uma família e tamanha insensibilidade diante do estado de saúde de seus membros.

Como lobos à espreita da presa combalida, os abutres da política insuflam correligionários e protagonizam aparições que buscam manter de pé a animosidade que reinava no município na época do último pleito eleitoral. Independentemente da presença da pandemia, cobra-se a falta de tudo, exige-se empenho máximo em todas as frentes, sem levar em conta que os prestadores de serviço da cidade, a classe trabalhadora, com certeza formada por pessoas mais jovens, ainda não está imune à doença, porque faltam vacinas. A torcida é pelo fracasso do grupo que foi vitorioso com quase 80% dos votos válidos em 2020.

Não obstante, talvez maior do que a falta de caráter dessas pessoas seja a miopia que as acomete, posto que se mostram incapazes e mesquinhas em avaliar seus próprios gestos e mesmo vislumbrar o mal maior que se abateria sobre o município, diante da eventualidade de um enfraquecimento da gestão a essa altura dos acontecimentos. No meio da semana, ao ser inquerido por uma repórter, a respeito do que espera das nações do mundo contra a pandemia, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Democratas), respondeu com a simples palavra: ‘união’. O contrário do que se assiste por aqui.

Maio laranja

Na segunda-feira, 3 de maio, a Câmara Municipal deve retomar suas sessões remotas, ou mesmo híbridas, nas quais parte da vereança participa de onde melhor lhe aprouver, e outra parte instala-se no plenário Vereador Edson Vidigal, conforme informou o presidente da casa, vereador Teódulo Aragão (PP). O retorno do trabalho parlamentar deverá diminuir a ansiedade que paira sobre a cabeça de muitos edis, notadamente entre os quadros mais novos desejosos em mostrar serviço.

O legislativo caxiense, dentre outros assuntos, deve colocar em pauta algumas propostas versando sobre o contexto da pandemia, e enfatizar também a campanha maio amarelo, que irá propor ações que visem oferecer melhorias à estrutura do trânsito da cidade.

Contudo, outro assunto, muito mais premente, em face dos casos que já se avolumam na região, deverá concentrar toda a atenção dos seus parlamentares, a pedido do vereador Teódulo Aragão: a campanha Maio Laranja, de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, celebrada oficialmente no dia 18 de maio

A escolha dessa data é emblemática para o Brasil, pois foi escolhida para homenagear Araceli Cabrera Crespo, uma criança de 8 anos que foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada no Espírito Santo, em 1973. Apesar das provas, evidenciadas no Rio de Janeiro, em muitos artigos e livro escritos pelo jornalista maranhense, José Louzeiro (já falecido), em 1976, os acusados foram absolvidos e o processo arquivado pela Justiça.

Dentre os objetivos dos eventos programados para a campanha em 2021, Teódulo Aragão deverá propor que a Câmara de Caxias aja no propósito de fortalecer o referencial teórico e prático dos profissionais da rede de proteção da criança e do adolescente; elevar o número de pessoas capazes e dispostas a denunciar os casos concretos de violência sexual contra crianças e adolescentes; e sensibilizar as famílias  para que protejam esse público do abuso e da exploração sexual.


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