Em minha cidade havia palmeiras e canto de sabiás;
nela exalava o perfume dos jardins urbanos...
dela se ouvia a linguagem singela do cotidiano...
Com a minha cidade crescia a romântica pregação dos poetas.
A inimizade humana passava em nuvens,
sob eólica turbulência, rumo a outras plagas,
para se derramar noutros cenários prenhes de ganância social!
A ela, em minha infância, ouvi sinfonias nas horas iniciais
de um futuro desenhado com cores de abandono...
Agora, que árvore dará abrigo a outros pássaros canoros,
para entoarem um canto de saudade?
Mas,
sou um kármico pertencimento humano a ti, torrão exilado...
Quero para sempre te pertencer:
qual grão de areia no teu chão sob um sol cáustico,
qual barro escondido nas paredes da construção de tua eternidade...
A ti: eis o que sou.
Em ti: eis onde estou.
E quando a minha matéria inválida tombar, obediente à natureza cumprida,
e imergir no teu barro...
Estórias de liberdade
serão tecidas sobre o ser
que não mais está cíclico ao meio;
pois,
livre é o ser sem estar,
e sido em sendo o verbo,
ainda...!
As opiniões, crenças e posicionamentos expostos em artigos e/ou textos de opinião não representam a posição do Portal Noca. A responsabilidade pelas publicações destes restringe-se aos respectivos autores.
O ser e a poesia advindos de mim
Minha poesia veste-me com essência sabedora ao interior de mime emudece meu grito ensurdecedor à negação que há nela.É a prisão na qual sou condenadoe estou a extrapolar-me, liberto, à ambiência alheia.É a imensidão em sal oceânico e chão cáustico, solitariamente desértico...É a diversidade de todas as minhas linguagens artísticas, sem plateia alguma...É a obra que, humildemente, ofereço à humanidade...É o ser a querer-se compartilhado a...
Angústia plagiada à naureana!
Abre-me a cova, espírito-poeta,enquanto uma estrela busca em mim,agora, a treva infinda,sem luz alguma no meu olhar a vê-la,nessa cegueira a ser da altura vinda.
Assim, espírito-poeta,adentrarei a noite a sabê-la:que, chegada a hora, o sonho será terra,o medo dirá seu último vintém,e o passado e o futuro serão guerrado inválido sobre a terra de ninguém.
Árvore gêmea à que em dor se enterra,a terra se abrirá em busca de outro além,e, unidos,...
Despercebido
Meu nome é poeira no canto da sala...Ninguém lembra,ninguém chama...Sou o eco de uma voz que se foinum sussurro ao vento, sem direção...
Mas eu ainda estou aqui,invisível, mas presente,esperando ser lembradoou, talvez, apenas esquecido novamente...!
Perda...
Lavo as mãos e perco tudo,em face de ser ignoradoe, por fim, esquecido...Sonho desfeitoe esperança perdida,enfim, decidido...!
Escrever poemas...!
Sim, o poema é isso:um extrapolar da vidaque se esvai no...