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Sílvio Cunha

Caxias, Política e Sociedade

Uma Semana Santa diferente


O caxiense vivencia mais uma vez uma Semana Santa incomum neste ano de 2021. Se no ano passado as manifestações tradicionais da paixão e morte de Jesus Cristo e do domingo de Páscoa foram diferentes das que as pessoas daqui estão acostumadas, dentro das quais, por prevenção, começaram a sair de cena os cultos e as procissões presenciais do calendário religioso, também a Procissão do Fogaréu, muito marcante na região, pela religiosidade e o incremento ao turismo, agora também, pela segunda vez, os caxienses estão amargando com temor os efeitos nocivos da pandemia do covid-19. E o temor é justificado porque as pessoas simplesmente não podem mais nem ao menos ignorá-la, fingir que ela não é tão perigosa assim, que só atinge quem tem mais de 60 anos ou é portador de uma doença crônica, dado que o vírus evoluiu para sobreviver em novas variantes bem mais letais à vida humana.

Para dar uma ideia do quadro da enfermidade no país, o número de mortos no mês de março passado, 62.918, mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior (32.912). Dois dias atrás, novo recorde foi batido com 3.950 mortos no espaço de 24 horas. Em Caxias, os registros caminham no mesmo ritmo. Se em fevereiro eram pouco mais de 100 óbitos, hoje a estatística bateu na casa de 215 falecimentos, por causa ou em consequência da doença, e as previsões são de que esse número prossiga crescendo, caso não se intensifiquem as medidas restritivas que obriguem a maior parte da população a ficar em casa, adotando rigorosamente uso de máscara, limpeza das mãos, dentre outros hábitos recomendados pelas autoridades de saúde.

A Cidade dos Poetas tem hoje 8.424 infectados, 7.776 recuperados, e 92 casos graves em internação nos hospitais cuja capacidade de tratamento se aproxima da saturação. Tem momento que não é impossível internar porque não há leito desocupado, e é isso que tem levado o prefeito Fábio Gentil (Republicanos) a reeditar nas últimas semanas restrições ao funcionamento do comércio e à circulação de pessoas. Neste fim de semana, barreiras de fiscalização estão montadas nas estradas de acesso aos principais povoados dos três distritos do município, como tentativa para ser evitada a aglomeração de pessoas na zona rural. A opinião pública fica dividida com tais decisões, mas a grande maioria da população vem apoiando as determinações que emanam nesse sentido do poder executivo.

Por outro lado, a vacinação contra a pandemia, embora lenta pela baixa quantidade de imunizantes que chega a Caxias, está em curso para idosos com mais de 70 anos de idade e sendo realizada em dois postos na zona urbana da cidade, localizados no ginásio Governador João Castelo e no pátio do Shopping Caxias. Vereadores debateram o tema na sessão ordinária remota de segunda-feira, 29, e opinaram que o melhor seria levar também a vacinação para pontos da zona rural.

O problema talvez resida na indisponibilidade de pessoal para o serviço, já que praticamente todos os servidores da área da saúde estão nos postos e nas unidades de tratamento contra a covid. Talvez para diminuir a pressão sobre quem está à frente do trabalho de vacinação, alguém decidiu dar uma folga para a turma, suspendendo o atendimento nesta sexta-feira santa e no domingo de páscoa. Contudo, se esqueceram de consultar o prefeito para tal tomada de decisão, que fez imediatamente retornar o serviço, não só no feriado, mas também nos demais dias do fim de semana.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Teódulo Aragão (PP), teve participação decisiva no episódio, apelando à sensibilidade do prefeito, ele próprio que já perdeu o pai, deputado Zé Gentil, para a doença, e agora convive com a apreensão de acompanhar o estado de saúde do seu irmão, o secretário da Fazenda Talmir Rosa, e outros amigos próximos que estão lutando para se recuperarem da enfermidade.

Na segunda-feira que passou, embora discutissem por três horas temas relacionados a educação e à segurança pública do município, a pandemia prosseguiu sendo o grande ponto de intercessão das demandas que aparecem na cidade a todo momento. Vereadores como Antônio Ximenes (Republicanos), Mário Assunção (Republicanos) e Ângela Machado (PTC), acham que é possível conciliar o retorno das aulas escolares presenciais com a pandemia, e se preocupam sobretudo com as dificuldades que estão passando grande número de servidores da área que não puderam renovar seus contratos de trabalho por causa da suspensão das aulas desde ano passado. Professor Chiquinho (Republicanos) e Darlan Almeida (PL), acham que não, só quando houver uma segurança maior, através da vacinação, enquanto o vereador Catulé (Republicanos) defende que todos os servidores da área policial, juntamente com as pessoas com síndrome de down, sejam incluídas também nos grupos de risco, a fim de serem vacinados mais rapidamente.

Sob a coordenação do vereador Torneirinho (PV), a Comissão Permanente de Segurança do legislativo apresentou um relatório favorável à reunião que o colegiado manteve recentemente com o secretário de Estado da Segurança Pública Jeferson Portela, o comando do 2º Batalhão da Polícia Militar do Maranhão, e representação da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Civil do Estado. Graças à iniciativa, muitas demandas da população local já estão sendo resolvidas. Mas, o melhor é que a Força Estadual de Segurança sentou praça na área e por aqui irá permanecer, no mínimo, 60 dias, fazendo incursões em todo o leste maranhense, para desmobilizar as bases que a marginalidade vinha montando já há algum tempo.

O caráter mais inusitado do momento que todos estamos vivenciando em Caxias é que tudo que acontece em nossa região está relacionado com a pandemia. Para roubarem pertences das pessoas e, se possível, também vacinas, criminosos passaram a rondar as unidades de saúde caxienses. Mais incrível, porém, são as famílias, os grupos de religiosos, não poderem se reunir para fazerem orações, ou sentarem à mesa comum na grande comemoração do Dia da Páscoa, que irá transcorrer neste domingo (04).


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