Em ritmo de alternância, com manifestações parecidas com as de épocas passadas, a campanha eleitoral municipal de 2024 se desenrola sem maiores surpresas até o presente momento. Na semana passada, protagonizando um admirável misto de carreata com motociata, a coligação governista “Caxias quer muito mais”, que reúne os partidos Democracia Cristã, Federação Brasil da Esperança, PT/PC do B/PV), PP, PDT, PSB, Partido da Mulher Brasileira - PMB, Solidariedade e União Brasil, tendo à frente a candidatura do arquiteto Gentil Neto (PP), saiu às ruas de Caxias com a finalidade de levantar o moral da tropa, já que é flagrante o incômodo que enfrentam diante da coligação liderada pelo suplente de deputado federal Paulo Marinho Júnior (PL), o Paulinho, da coligação “Caxias é do Povo”, consubstanciada nos partidos Republicanos, Podemos, PL, PRD, Mobiliza e Agir.
O grupo governista tem razão para estar apreensivo com os fatos porque, por mais que aja, procure interagir com o eleitorado, as aferições das pesquisas apontam que ele se encontra, no mínimo, a dez pontos percentuais atrás de Paulinho, e isso a 13 dias das eleições do próximo 06 de outubro, a data fatal do pleito. O que está acontecendo em Caxias, à essa altura da campanha eleitoral, é que cada movimento orquestrado pela coligação “Caxias quer muito mais” logo é neutralizado pela coligação “Caxias é do Povo”, com esta última mostrando uma surpreendente força para reunir apoiadores que, até onde se sabe, não fazem parte da esfera do poder. Em outras palavras, pessoas que não são empregadas e nem têm contrato de trabalho com a prefeitura. Em suma: que vêm das demais camadas da população.
Essa inequívoca demonstração de musculatura eleitoral está desnorteando a coligação política sabidamente com mais recursos no município. É um processo que se assemelha ao fenômeno que foi a candidatura a prefeito do vereador Fábio Gentil contra o clã Coutinho na campanha de 2017, quando ele, com poucos recursos, venceu a disputa contra o então poderoso prefeito Léo Coutinho. Assim, não é à toa que se observa a turma governista andando cabisbaixa pela cidade, não pedindo licença para esconder insatisfação, desnorteada ao constatar que a realidade da política local nesse momento foge ao modelo previamente traçado no palácio da Pantheon.
Enquanto os adversários se alimentam do desejo latente do povo por mudanças, o status quo no poder agora está partindo para surtidas desesperadas, à procura de um fato desabonador no seio dos contrários, capaz, se possível, de equilibrar mais um jogo que desde o início não empolgou o eleitorado caxiense, face aos erros crassos cometidos pela gestão do prefeito Fábio Gentil, sobretudo nos últimos três anos.
A coligação gentilista, apoiada por parte da família Coutinho, se tivesse olhado atentamente para o resultado da eleição da deputada federal Amanda Gentil (PP), que obteve apenas 25 mil votos no município, considerando-se o universo de cerca de 100 mil eleitores aptos a votar em Caxias em 2022, tinha que ter dado crédito ao claro sinal de alerta evidenciando a dificuldade do prefeito de transferir votos a quem quer que seja.
Diferentemente da última eleição de prefeito, quando Fábio alcançou mais de 62 mil votos em Caxias, dois anos depois, talvez em razão da desatenção às demandas de grande parte da população, FG sentiu na pele que já não estava com a popularidade que desfrutara nas eleições de 2017 e 2020. Mas contra todas as recomendações e orientações que lhe chegavam aos ouvidos, entendeu que ainda tinha condições de eleger qualquer candidato da sua predileção, a exemplo do sobrinho que dirigiu a secretaria municipal de infraestrutura.
As falhas na administração da cidade, mais aparentes no atual momento, de onde os adversários municiam o inconformismo do povo, agora elevam o tom das vozes das ruas, numa demonstração inquestionável de que o que está por vir não será ao estilo da estratégia costumeiramente urdida pelos detentores do poder na cidade. Prova disso é que, com medo de não conseguir se reeleger, já tem gente flertando abertamente com Paulinho, inclusive deixando de lado a velha manobra do voto casado para o cargo maior da prefeitura.
Deixar para trabalhar só em ano de eleição não cola mais e soa mal, uma vez que o eleitorado já passou a entender que esse tipo de manobra favorece a interesses que se situam bem longe de suas demandas. Quem vota hoje vai à urna convicto de que o prefeito, o vereador, serão eleitos para servirem ao povo e não para atenderem desejos particulares. Afinal, está à disposição dos internautas (e todo mundo anda agora com um aparelho celular na mão) o mais formidável arcabouço de informações via redes sociais, capaz de subsidiar quem se dispõe a vivenciar a política caxiense.
Quer dizer: dificilmente as pessoas agora correm o risco de ser enganadas como antigamente, suscetíveis a fake news, por exemplo. Mesmo assim, até o dia da eleição, com toda a certeza, não irão faltar escaramuças de todos os tipos, incluindo a propagação de fakes news para desarmar os ânimos desfavoráveis.
À frente do teclado, esperamos, contudo, que o clima de civilidade, tão peculiar aos caxienses, se mantenha altivo durante todo o resto da campanha, e não descambe para as baixarias que estão ocorrendo em muitos pontos do território nacional, alimentadas pelos propagadores do caos. Afinal de contas, Caxias precisa é melhorar, andar para frente, recuperar a pujança perdida no cenário estadual.
No próximo final de semana (sexta-feira e sábado), um grande evento do agronegócio está programado para acontecer no pátio externo do Caxias Shopping, situado à margem da BR-316. O agronegócio é a grande força econômica que toma conta do território nacional. Caxias, forçosamente, tem que entrar nesse movimento, se quiser melhorar e andar para frente.
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