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Sílvio Cunha

Caxias, Política e Sociedade

No compasso de pré-carnaval


Dois fatos políticos ganharam destaque na semana, despertando especulações, antes do carnaval, sobre o que está acontecendo com os postulantes à sucessão municipal de 2024, em Caxias. 

Contrariando apostas feitas a torto e a direito, a ex-secretária do Gabinete da Prefeitura de Caxias, Lycia Waquim, não assumiu o comando do Hospital Regional Dr. Everaldo Aragão, órgão do governo na cidade, mas já ocupa, desde o meio da semana, a Secretaria Adjunta de Articulação Política do Governo do Maranhão, através da qual ampliará a participação do órgão na região do leste maranhense, facilitando mais o trabalho do titular da pasta, secretário Rubens Pereira.

A posse da ex-secretária, que saiu da PMC após uma conversa para lá de delicada com o prefeito Fábio Gentil (PRB), na qual o alcaide demonstrou muita contrariedade pelo fato de ter lhe dado muitas oportunidades ao longo de sete anos da sua gestão, aconteceu em solenidade pomposa no Palácio dos Leões, onde o governador Carlos Brandão (PSB) comandou o ato, inclusive na presença de todo o bloco político que faz oposição à gestão gentiliana.

O movimento, do ângulo de visão de quem acompanha a política, deu a entender que o governador do estado, desde a primeira hora aliado declarado do prefeito Fábio Gentil, também apoia quem está atualmente à margem do governo caxiense. Afinal de contas, sobre  Lycia Waquim paira a imagem de sua mãe, Luzia Waquim, que responde, nada mais nada menos, pela chefia do Gabinete do Governo do Maranhão, sendo, portanto, pessoa da mais irrestrita confiança de Carlos Brandão.

A posse da ex-secretária, com o comparecimento massivo dos oposicionistas locais em São Luís, fez imediatamente suscitar nas conversas dos caxienses o imaginário de que Lycia é a escolhida, a cabeça da chapa, para disputar em outubro a eleição contra o secretário de Infraestrutura Gentil Neto, acabando de vez a disputa que se arrasta dentro do bloco oposicionista, onde se digladiam Catulé Júnior (PSB), o deputado federal Paulo Marinho Júnior (PL), e o vereador Daniel Barros (PDT), uma vez que o ex-deputado estadual Adelmo Soares (PSB) já decidiu que não disputará cargo majoritário em 2024. 

Essa percepção, no entanto, é controversa, porque a ex-chefe de gabinete, sendo neófita no grupo, pode facilmente assumir a condição de vice na chapa oposicionista, diminuindo uma eventual pressão que venha a sofrer dentro de um grupo que se mostra aliançado já a bom tempo pelos nomes de Paulo Marinho Júnior e Catulé Júnior.

Entrementes, quando parecia que o governador tinha demonstrado sua preferência, eis que o próprio chefe de governo maranhense proclama que o amigo Fábio Gentil é a maior liderança política atual do leste maranhense, numa demonstração inequívoca de que apoia os dois lados, uma vez que todos agora são seus amigos e não há interesse algum de melindrar ninguém.

Como sabe que a família Coutinho segue aliada de Fábio Gentil, o governador não colocou Lycia no Hospital Macrorregional, mantendo no controle do nosocômio pessoa indicada pela deputada estadual Cláudia Coutinho (PSD), esposa do prefeito de Matões, Ferdinando Coutinho. Quer dizer: preferiu honrar o acordo intermediado por ele, unindo os Gentil com os Coutinho, e, no mais, deixando toda a turma debaixo do seu guarda-chuva, situação que é ótima para suas futuras conquistas políticas.

Contudo, a entrada de Lycia no bloco da oposição caxiense não é garantia de que ali irá se chegar a um ponto de consenso. Muito pelo contrário, deve oferecer mais tensão, até porque Catulé Júnior e Paulo Marinho Júnior, os fundadores do grupo, não irão se conformar em se tornarem, mais uma vez, coadjuvantes dentro da disputa pelo comando do município, responsabilidade para a qual os dois se acham mais preparados.

Enquanto isso, à frente de seu grupo político, o prefeito Fábio Gentil vai deixando transparecer como realizará a campanha eleitoral deste ano e, pelo visto, ele próprio é quem sairá às ruas e povoados propagandeando em favor do sobrinho Gentil Neto, ao lado da sua fiel bancada de vereadores e cabos eleitorais, é claro.

Os adversários dizem pelos quatro cantos de Caxias que FG está com alto índice de rejeição no município. Todavia, é ele que dispõe do apoio da filha, a deputada federal Amanda Gentil (PP), e da esposa, a deputada estadual Danielle (PSB), para ajudá-lo a trazer os recursos das valiosas emendas que as duas parlamentares terão acesso no decorrer do ano. E, com esses recursos em mãos, Cabeludo terá todas as condições de sanear os problemas que a toda hora estão batendo à sua porta, fazendo as pazes até mesmo com quem já lhe tem alguma antipatia.

O carnaval, por exemplo, será a sua primeira investida, com certeza demonstrando agora que a sua preocupação maior é conduzir a folia dentro dos melhores quesitos de segurança, fator que hoje está pesando muito no conceito de comerciantes e da própria família caxiense, como um todo. 

Dra. Márcia Marinho

A semana de pré-carnaval, entretanto, não terminou festiva para os caxienses. Na manhã de sábado, faleceu aos 60 anos, em Teresina (PI), a médica Dra. Márcia Regina Serejo Marinho, ex-deputada federal e ex-prefeita de Caxias. O seu passamento aconteceu em decorrência da doença amiloidose cutânea, que pertence a um grupo de doenças raras, causadas pelo depósito de proteínas insolúveis no corpo Dra. Márcia chegou a se tratar em São Paulo, tendo retornado à cidade no começo da semana, até se sentir mal na última sexta-feira e ser levada às pressas para a capital piauiense, onde veio a falecer.

Caxias perdeu uma de suas mais caras reservas morais. Primeira mulher a administrar o município, no período de 2001 a 2004, Márcia Marinho, natural de São Luís, deixou um grande legado para a cidade que adotou, após seu casamento com ex-deputado federal, ex-prefeito de Caxias e empresário Paulo Celso Fonseca Marinho. Da união, ficaram três filhos: Paulo Marinho Júnior, Larissa e João Vítor.

Durante a sua gestão como prefeita, foi uma mulher que trabalhou muito para fortalecer o sistema municipal de saúde, principalmente melhorando o trabalho assistencial a mulheres e crianças. É de sua época, por exemplo, a revitalização do hospital infantil da cidade, quando passou a ser possível a realização de cirurgias delicadas para essa faixa etária. Mas também brilhou na área social, abrindo mais creches, centros de aprendizado especializados ou atendendo semanalmente os segmentos mais carentes da comunidade.

Tive a satisfação e a honra de trabalhar ao seu lado assessorando-a na chefia do Gabinete da Prefeitura, e lá testemunhei o valor do seu caráter prestativo e sempre à disposição das pessoas que a procuravam com demandas de toda a ordem. Em nosso convívio, foi do exercício da sua profissão, à política e ao empresariado, à frente da Faculdade do Vale do Itapecuru (FAI).

No Ginásio Governador João Castelo, onde seu corpo foi velado por  familiares e legião de amigas e amigos na manhã deste domingo (04), antes de ser levado às 09 horas para cemitério de São Benedito, o seu esposo, Paulo Marinho, tendo em mãos um pequeno caderno de suas anotações pessoais, fez um agradecimento aos presentes, dizendo um pouco do seu caráter, através das seguintes palavras escritas por Dra. Márcia:

“Rego minhas amizades ... pois são para mim como flores plantadas no meu coração. Perfumam, adoçam, florescem carinho e fazem de mim um jardim imenso de gratidão”.


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