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Wybson Carvalho

Recanto do Poeta

Ainda uma análise sobre minha Antologia Poética


Ainda, uma análise sobre minha poesia - crítica literária

O CALVÁRIO DE UM POETA

Atente para o desfile de palavras que, sob seus olhos, vai brilhar porque não são paetês nem miçangas de uma fantasia carnavalesca; senão o manto de alguém desnudo, torturado e crucificado. No alto da cruz de Carvalho, lê-se que é Wybson, o poeta. O nome e o crime, a razão da execução. A tragédia desde cedo anunciada. Tudo comprova que é assim: há horas agoniza como um Itapecuru, “que amputa os braços afluentes a oferecer veredas secas”. A soldadesca rude e ignóbil confunde sua oração em grito por água – a voz rouca. Dois fios de sangue que rodeiam os pés cravados deixam rastros vermelhos.

Ainda – agorinha – mesmo houve convulsões até o acalanto do grito, porque desde a adolescência – quem é homem sabe – a carne grita. A vontade humana que tem é de devolver os insultos dos que dele sorriam e, cuspindo-o, proclamaram; de que te valem tantas letras! Resigna-se porque sabe: “a alma será perdoada pela resistência à ira infernal”. Uma única questão, porque todo crucificado tem seu Judas: “traí a mim mesmo ao ser traído por ti...”

Jogam dados e bebem, em vulnerável alegria da embriaguez. O tempo muda e as palavras relâmpagos que saem dos seus versos, lançam nesta noite poucos talentos, um clarão enorme como no carnaval onde “abrem-se em liberdade as portas da vergonha”. As dores em lassitude trazem lembranças daqueles que, diminuem o pão e limitam o vinho daquele que bebeu a saliva num beijo algum e na asfixia gradual, matando-o aos pouquinhos, suplica: porque é tão demorada a historia do tempo?

Há frações de delírios; seria transe, sabe-se lá: mistura de utopia e alegria. A grande maioria o deixará numa estante – por um período dantesco se apaga. Somente uns poucos continuam ali, ao pé da cruz, “sob os raios de fogo ao corpo inerte”. Correm boatos de que irá ressuscitar! Dizem que, tão logo a matéria inválida tombar, os seus discípulos e suas companheiras do passado e do futuro se encarregarão: “estórias de liberdade serão lendas sobre o ser...” Gera-se uma expectativa: “há flores nos jardins dos sonhos”.

O poeta é crucificado / Três cravos colam / Wybson ao Carvalho / Numa terra fértil / Três raízes, nela, firmadas. Avançam as horas – encena a luz da vida fugitiva, ouçam! “Meus descalços pés andarilhos / levam meu corpo baldado e nu...”

...Alguém anuncia que ele delira, outros dizem que recorda o mar de sua própria Galiléia: “sentado à beira da praia e com a boca em quentes beijos de salgado desejo”. No último ato, ele ainda tenta explicar: “sou eu, morrendo sob o testemunho de pesadelos (...) à cinzenta agonia de existir...”

O tirano sugere um tumulo funcional, algo hermético, blindado, sob guardas burocráticos, para matar-lhe a alma, impedir que a sangue escreva, que o tintado torne soletre o amor, que o pranto beije. È tarde, muito tarde. Agora, obra edificada em sangue, osso e carne num complexo natural. Tudo comprova: Se não estiver crucificado, poeta não é.

Murilo Moreira


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