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Sílvio Cunha

Caxias, Política e Sociedade

A convivência em meio à crise da pandemia


Tempos esquisitos os que vivemos. Numa semana o comércio funciona no período da manhã, noutro à tarde. E não é coisa de invenção ou maluquice, não, mas de adaptação, um jeito bem brasileiro que as autoridades, pelo menos as daqui de Caxias, estão encontrando para conciliar o interesse da administração pública e da população em geral com o dos empresários, por força da pandemia do novo coronavírus instalada no município desde os primórdios do último mês de abril.

Já se vão cerca de quatro meses que o caxiense sobrevive atemorizado com a perspectiva de que a doença chegue à sua casa e alcance a família, onde os mais velhos ou portadores de certas comorbidades estão sujeitos a  uma exposição que pode inclusive lhes tirar a vida. Mas pior do que isso, ou seja, esperar, tentar impedir a doença, é sobreviver em meio a ela, porque se é imperativo que as pessoas adotem uma política de distanciamento social, uma vez que ainda não existe medicação eficiente contra o vírus, também é importante garantir meios de subsistência para garantir a vida, situação que em regra só acontece por meio do trabalho.

Algumas cidades do país, no afã de baixar a expansão da Covid-19, chegaram a simplesmente fechar seus limites territoriais à circulação de pessoas e tiveram êxito, obviamente com grande prejuízo de suas economias. Noutras, a exemplo da nossa Princesa do Sertão, a opção tem sido flexibilizar a medida, procurando a melhor maneira de controlar a circulação de pessoas, principalmente nas áreas comerciais tradicionalmente de maior movimentação. Nas duas últimas semanas, por exemplo, o comércio funcionou com muitas restrições e em horários distintos.

A medida encontra apoiadores e os que a desaprovam ao mesmo tempo. Mas as pessoas sensatas olham a situação do ponto de vista de que o que não pode acontecer mesmo é uma flexibilização total do comércio, porque, aí, seria o mesmo que dizer ao povo que liberou geral, como ocorreu durante alguns dias, quando registrou-se enormes aglomerações na  área central da cidade e a quantidade de infectados cresceu exponencialmente.

Para uns, a desculpa de vir para o centro de Caxias é o pagamento das parcelas do auxílio emergencial do governo federal na única agência da Caixa Econômica Federal (CEF) do município. A aglomeração de pessoas no perímetro da agência é inevitável. Visando controlar a situação, a prefeitura interveio, e do lado de fora o prédio foi isolado e cercado. Para acessá-lo, as pessoas, primeiro, têm que passar por câmaras de desinfecção sanitária. Depois, aguardam o atendimento sentadas em cadeiras espaçadas e protegidas do sol.

No interior da agência, porém, todos esses cuidados perdem sentido, porque é impossível reduzir a aglomeração. É que a agência local não atende somente os usuários do município, mas também das demais cidades aqui do leste maranhense próximas a Caxias. O absurdo se mantém há mais de duas décadas e ignora um sem número de reivindicações demandadas por nossa população, que clama por outra agência da instituição bancária federal na cidade. E assim, não há política de distanciamento social que resista a tamanho desatino.

Por outro lado, a própria população cansada de isolamento não resiste à tentação de visitar as lojas que, de portas abertas ou semiabertas, mesmo cumprindo todas as recomendações sanitárias, se transformaram em atrativo perigoso, para abrandar o clima de desânimo e de temor estabelecido pela pandemia. O uso obrigatório de máscaras é o principal cartão de acesso no qual as pessoas se amparam para tentar vivenciar o que tinham como normalidade na vida.

É exagerada a afirmação de que o governo municipal está sendo negligente ao permitir essa flexibilização do comércio, como preferem alguns. A medida, pelo que se  constata, é uma espécie de válvula de escape para a população. Afinal, todos estamos vivendo há quatro meses num estado de tensão tremendo, que precisa ser aliviado. Ocorre, que infelizmente não basta somente tentar convencer as pessoas a ficarem em casa, clamar para que saiam às ruas apenas por necessidade. Quem tem melhores condições de vida pode aguentar a dureza dos decretos de calamidade pública. As famílias menos aquinhoadas, não. O grande problema é que os hospitais da cidade estão praticamente no limite da capacidade de internação.

A crise desenterra um fosso enorme de desigualdades no país e os primeiros flagelos dela decorrentes são a falta de educação, a pobreza e o desemprego, que vêm à tona em meio às camadas mais simples do povo, especialmente no Nordeste. O pobre tem que sair de casa à procura de subsistir porque simplesmente não tem outra opção. Além do que, por mais informação que receba, também não compreende o processo da doença. Por isso está difícil controlar a circulação de pessoas em Caxias, seja na cidade ou na zona rural, onde já cresce também os números da enfermidade.

No plano político, os últimos dias centraram a divulgação de duas pesquisas eleitorais que confirmaram a liderança do prefeito Fábio Gentil (Republicanos) para reeleger-se na campanha eleitoral deste ano, pleito a realizar-se no dia 15 de novembro. O trabalho realizado por empresas especializadas de São Luís, nos primeiros dias de julho, assinalaram que o prefeito está 54 pontos (pesquisa Escutec) à frente do segundo colocado, o deputado estadual Adelmo Sores (PCdoB), e 31 pontos à frente do mesmo parlamentar, na aferição do Instituto Datailha.

Os dois órgãos de pesquisa jogaram também um balde de água fria no intento dos demais postulantes ao cargo (César Sabá – MDB, Júnior Martins – PSC, Tino Castro - , Luís Carlos Moura – PMB e professor Arlindo – PSOL). À essa altura do campeonato, ninguém desse grupo conseguiu reunir condições de participar efetivamente da disputa. Juntos, se fizeram muito, chegaram a pouco mais de dez pontos.

Uma nova pesquisa da Escutec será conhecida no próximo dia 27, após a Justiça haver suspendido a divulgação da primeira, por haver encontrado impropriedades no seu questionário de avaliação do cenário político caxiense. E, assim, a tensão só aumenta nos bastidores caxienses.

Por outro lado, no seio do principal bloco de oposição ao prefeito, a aliança Adelmo Soares/Thaís Coutinho, correligionários da família Coutinho, mesmo com a intervenção da deputada estadual Cleide Coutinho (PSD), líder do clã, procurando fortalecer a equipe com o publicitário Carlos Alberto Silva e o ex-vereador Ironaldo Alencar, não conseguem esconder o desânimo de seguir com o deputado Adelmo, para a disputa de prefeito. A turma está inconformada com o fato do deputado não adotar uma postura agressiva contra o seu maior rival, talvez por reconhecer o esforço que Fábio Cabeludo vem fazendo para proteger o município contra a pandemia.

A campanha política caminha também com ingredientes novos. Todos já sabem que comícios e reuniões estarão terminantemente proibidos por causa da Covid-19. A saída que os políticos mais experientes passaram a utilizar se dá por meio de grupos de whatsapp, ou através de participação mais frequente em reuniões remotas, via internet.   Os vereadores Mário Assunção (PRB), Repórter Puliça (PL), Darlan Almeida (PL) e Ximenes (PRB), por exemplo, são mestres nas duas opções. Já o vereador Catulé (PRB), presidente da Câmara Municipal, presente também no whasapp, estreia neste sábado, 25, às 10 horas, pelas plataformas instagram ou facebook, a sua primeira live, reunião remota com seus apoiadores e aberta ao público.

O carismático político de Caxias, driblando o coronavírus, quer bater um papo com a população, em tema livre e disposto a falar de tudo. Será uma boa oportunidade de avaliação desse novo modelo de interação com o eleitorado caxiense.


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