Em coluna anterior, destacamos o perigo das passagens de nível, pontos de cruzamento de ruas com a linha da estrada de ferro que corta o centro da cidade e alguns bairros de Caxias, como um problema recorrente enfrentado por pedestres e condutores de veículos. Demonstramos que somente sinalização vertical e horizontal não são suficientes para garantir a segurança dos cidadãos e cidadãs nesses locais, muito embora a legislação federal sobre a matéria apresente lacunas a respeito de semáforos e cancelas automáticas, a exemplo do que se vê em outros países.
Na semana passada, uma pessoa acabou perdendo a vida, ao ter uma das pernas esmagada por uma composição ferroviária que cruzou a cidade. Até onde estamos informados, a vítima não estava, inadvertidamente, em um desses locais de cruzamento, pois estava alcoolizada e desfalecida à margem da linha do trem. Foi uma fatalidade, decerto. Entretanto, o fato não exime as autoridades locais de reclamar por uma fiscalização maior da empresa concessionária da linha férrea, visto que gratuitamente ela aproveita o solo do nosso município em suas transações comerciais, e por isso deveria estar mais atenta aos pontos críticos de cruzamento em Caxias, colocando funcionários para assistir eventuais problemas com a população no trecho ferroviário, quando da passagem das composições.
Como o tema é de nível nacional e acontece também em outras cidades brasileiras, estando ligado, portanto, à legislação federal de transportes terrestres, o momento é mais apropriado a uma interferência da Câmara Federal e do Senado da República, no sentido de evitar-se futuras tragédias que poderiam muito bem ser evitadas somente com medidas de precaução. Sabemos que controlar os pedestres é difícil, mas mais difícil é disciplinar milhares de condutores de carros e de motos que circulam pelas vias de Caxias, diariamente. Que a deputada federal do município trabalhe nisso, e assim poderá estar oferecendo uma grande ajuda aos caxienses, até porque já estamos vivenciando tempos de campanha eleitoral, e resultados positivos, com toda certeza, somam mais votos para uma reeleição.
E por falar em campanha eleitoral, observar que a gestão municipal, felizmente, voltou a cuidar da cidade. Já é possível o vislumbre de homens e máquinas trabalhando na recuperação de vias de tráfego que se encontravam em estado lastimável, sobretudo agora, nesses dias em que a estação das chuvas vai se evidenciando. Que o trabalho seja célere, porque muitas ruas do centro histórico simplesmente estão prestes a colapsar, como é caso da rua Afonso Pena e da antiga rua do Cisco, antes Benedito Leite e hoje Vereador Fauze Simão, que a cada intempérie deixa o tráfego mais difícil por causa de buracos que só aumentam com a força das águas que caem do céu. Nesse mister, praticamente toda a extensão da avenida Central também necessita de reparos urgentes.
Visualizando outra situação, louvar o trabalho de recuperação do prédio antigo que abrigou o Grupo Escolar Gonçalves Dias e o Fórum de Justiça do município, na praça Gonçalves Dias. A obra é mais do que providencial, por se tratar de uma imponência do centro histórico, e mesmo porque abriga hoje órgãos do município, como a Procuradoria Geral. Uma repaginada na área certamente embelezará novamente aquele emblemático ponto turístico caxiense, ora entregue a moradores de rua que procuram espaço para passar a noite e dormir. Seria bom não esquecer de recuperar também as vizinhas ruas Dr. Berredo e Aarão Reis, cujas pistas de rolamento estão deploráveis, e não esquecer do terreno que abrigou o antigo Cassino Caxiense, que hoje está sendo aproveitado como área precária de estacionamento de veículos.
Nunca houve qualquer informação sobre a decisão do ex-prefeito Fábio Gentil em demolir as edificações do Cassino Caxiense e tomar a posse da área para o município. Especula-se que uma indenização aos sócios ou seus herdeiros teria desestimulado a medida. Entretando, o que se sabe é que os herdeiros do local, que foi erguido com recursos privados na década de 1950, contavam com a sua recuperação para outras finalidades, inclusive para integrar o acervo cultural do município.
E por falar em atividade cultural, Caxias continua sem um teatro público à altura das suas tradições. O Instituto Histórico e Geográfico de Caxias (IHGC), sob o comando do saudoso desembargador Arthur Almada Lima Filho, bem que providenciou recursos para que fosse recuperado o antigo complexo da estação ferroviária de Caxias, nas proximidades do bairro Galeana. A área e as edificações foram todas recuperadas. Para funcionar, o teatro, no entanto, ainda aguarda os equipamentos de refrigeração e poltronas prometidos pelo governador Carlos Brandão. Mesmo sob a guarda do governo estadual, teme-se que a inatividade do complexo possa comprometer todo a trabalho realizado na sua recuperação.
Na Câmara Municipal de Caxias (CMC), os vereadores voltaram às suas atividades legislativas. Afora o encaminhamento de elogios, reclamações e requerimentos ao governo municipal, foram surpreendidos com ofícios emitidos pelo Tribunal de Contas do Maranhão, demandando sobre prestações de contas de administrações passadas, inclusive do ex-prefeito Léo Coutinho. O tema deve suscitar debates nos próximos dias, vez que interesses políticos estão em alta e a família Coutinho voltou a se fazer presente e com ambições para controlar novamente o município, feito conseguido no passado pelo saudoso Dr. Humberto Coutinho. O nome de HC voltou as estar em alta, ao ponto de um requerimento na CMC solicitar o seu nome para a nova avenida Pirajá, que ainda está em execução na entrada da cidade que dá acesso direto a São João do Sóter e a São Luís.
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