O réveillon foi embora com um grito de carnaval, por assim dizer, bem tímido, no alto do Morro do Alecrim, em um acontecimento bem diferente dos tempos vivenciados em épocas passadas, sobretudo quando os clubes sociais da cidade se esmeravam em protagonizar “assaltos carnavalescos” para a mocidade e adultos irem afinando o corpo para os dias da folia de momo, a cada ano. Sim, porque era dessa forma que os caxienses brincavam o que hoje se denomina de pré-carnaval. Eram os tempos em que o normal era se ver, aos sábados e domingos, blocos de sujos nas ruas, com a missão que tinham de irem de casa a casa filar um litro de bebida para a turma seguir pelas ruas agitando a cidade. Os organizados, como o “Malucos por samba”, que incluía passistas, também aproveitavam para treinar.
Claro que os primeiros dias de janeiro também era momento de veneração a São Sebastião, como acontece até hoje. A retirada de uma árvore frondosa na área de proteção ambiental do Inhamum está mantida pela tradição centenária, e milhares de pessoas passarão o dia no local, que fica às margens da estrada para a vizinha São João do Sóter, a fim de no final da tarde trazerem nos ombros a árvore que será fincada diante da capela do santo, no Largo de São Sebastião. A festividade, sem dúvida, é garantida pela igreja católica, mas os carregadores do mastro, salvo algumas exceções, nada têm de espírito de devoto, e mais se parecem com brincantes carnavalescos turbinados a álcool, levados pelas ruas ao som de batidões sonoros que estremecem tudo por onde passam. Mas, tudo bem! Isso é tolerável e faz parte da tradição da cidade. Desta segunda-feira em diante até o dia 20, porém, poucas serão as pessoas que frequentarão assiduamente os ofícios religiosos realizados à noite na capela de São Sebastião.
Ao longo da última semana, o fato político mais importante foi garantido pelo vereador decano da Câmara Municipal de Caxias (CMC), Antônio Catulé (PL), atrás do podcast Sai da Lama, dirigido pelo jornalista Jonas Filho, que voltou ao batente após se recuperar de uma enfermidade que o retirou de ação por algumas semanas. O fato não foi a avaliação que o vereador fez do atual momento político no município, após o juiz eleitoral da 4ª zana ter declarado cassados o prefeito José Gentil Neto (PP), o vice-prefeito Eugênio Coutinho Filho e o ex-prefeito Fábio Gentil, por abuso de político e econômico, compra de votos, contratação irregular de funcionários em período de campanha eleitoral, dentre outros crimes.
A novidade veio com o vereador dizendo que, se houver mesmo nova eleição para escolha dos mandatários caxienses que continuam no cargo, o ex-prefeito de Matões, Ferdinando Coutinho, não poderá concorrer em Caxias, porque trouxe em sua bagagem dois mandatos seguidos no município vizinho, sendo alcançado, portanto, pela legislação eleitoral que proíbe isso. Assim, não basta ao ex-prefeito, que por sinal foi vereador caxiense em vários mandatos e presidente da CMC, transferir seu título eleitoral novamente para Caxias. Ele tem simplesmente que seguir as regras eleitorais, e estas o impedem de se candidatar a prefeito neste momento. Assim, em caso de nova eleição, Ferdinando pode apresentar um nome em seu lugar, como o fez recentemente o ex-presidente Jair Bolsonaro, lançando o nome do filho Flávio, na disputa contra o presidente Luís Inácio Lula da Silva, em outubro deste ano. A incógnita ficará por conta de quem será o ungido. Mas isso já é pretexto para muita gente especular a respeito, fazendo ilações de nomes no entorno do ex-prefeito matoense. Contudo, se a tal nova eleição se confirmar, dado que o processo ainda corre em esferas judiciais superiores, a disputa poderá ser bem mais interessante do que se pensa, uma vez que também existem agentes políticos fortes e em condições de batalhar pelo cargo com desenvoltura e prestígio eleitoral.
Todavia, não é hora de declinação de nomes. E, no mais, lamentar que um dos grandes oitizeiros do Largo de São Benedito foi vencido pelo tempo e teve que ser cortado pela administração municipal, a bem de preservar a segurança das moradias situadas nas proximidades e pessoas e veículos em circulação naquele perímetro do centro urbano de Caxias. O velho oitizeiro, plantado no local talvez no século 19, deixará uma lacuna entre os frequentadores da área. Muitos serão os que o evidenciarão como testemunha de namorados apaixonados, dos antigos festejos de São Benedito, das reuniões de estudantes de escolas em preparação para desfiles cívicos, das procissões religiosas, e até mesmo se lembrarão que ele presenciou, ali, até contendas violentas com enlace fatal, ao longo de seus muitos anos de existência.
A expectativa da coluna é que o poder público preserve as árvores presentes naquele logradouro público e faça logo a reposição das que precisarem ser substituídas. A lembrança vem em razão das palmeiras imperiais que morreram na praça Gonçalves Dias. Enfim, chamar ao menos a atenção dos vereadores do município, considerando que eles agora estão envolvidos em um projeto que resultará no plantio de cerca de 500 mil árvores frutíferas dentro de Caxias e em seu entorno, a título de garantir melhoria ao clima da região, ora bastante ameaçado com a expansão do agronegócio na cidade.
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