Para o cronista é sempre uma satisfação discorrer sobre coisas boas. Mas não tem jeito, aqui, em Caxias, pelo menos por esses tempos, as notícias ruins estão sempre em destaque e ofuscam as melhorias que chegam à cidade. E o clima é de desobediência inclusive em assuntos de moralidade. Nesta semana, através das redes sociais, cerca de 500 mil reais apareceram numa suposta transação de um apartamento, patrimônio de deputada estadual envolvida no caso da Operação Lei do Retorno, da Polícia Federal, que flagrou também um ex-gestor da cidade em desvio de mais de 50 milhões de reais do Fundeb, dinheiro dos estudantes da educação básica caxiense. Como se isso não bastasse, agora estão sendo investigados os desvios de milhões de reais do SAAE, autarquia municipal que cuida das águas e esgotos caxienses, surrupiados ao longo de algumas gestões passadas. Por incrível que pareça, em vez de receber reprimenda ou punição judicial, há suspeito que agora ostenta o título de cidadania caxiense, porque a Câmara Municipal de Caxias resolveu agraciá-lo pelo sucesso da empreita, como se a habilidade de surrupiar o erário público fosse algo elogiável e digno de ser copiado.
Mergulhada nesse contexto de absurdos, Caxias também vivencia uma crise de insegurança pública sem precedentes na história da cidade. A toda hora fala-se em realizações de audiências públicas para tratar do assunto, e elas vão acontecendo nos lugares mais variados. O poder público e a sociedade até que se esforçam para controlar a situação, mas os fatos criminosos estão por aí, diariamente, fazendo pouco caso das providências adotadas. No espaço de dez dias, por exemplo, nada mais nada menos do que cinco pessoas perderam a vida por conta da participação de facções criminosas estabelecidas em solo caxiense. A última envolveu a morte de uma jovem de 19 anos, natural do Piauí, abatida a tiros no balneário Maria do Rosário. Usando as redes sociais, faccionados, não só comemoraram a ação, mas enviaram também o recado sobre quem realmente tem força para fazer o que quiser no município.
A situação está tão fora de controle que tem gerado desobediência civil, uma vez que as pessoas passam a agir irracionalmente. Nos sinais de trânsito, quase ninguém obedece aos semáforos, e os acidentes não acontecem com frequência apenas pela graça de Deus. Por outro lado, se a polícia age e prende malfeitores, estes logo estão soltos por força de decisão judicial. E a presença policial parece que não intimida quem se julga acima da lei. No sábado, 04, um homem idoso acusado de pedofilia tombou crivado de balas na área externa de sede da prefeitura, na praça do Panteon, em frente ao Centro de Cultura Acadêmico José Sarney. Em flagrante desrespeito à autoridade policial que lhe dera voz de prisão, o homem sacou um facão para o agente da lei, que não pensou duas vezes para defender-se. No caso, uma pessoa perdeu facilmente a vida, enquanto outra passou a conviver com um fato desagradável ao longo de sua existência.
Outro flagrante de desobediência é a falta de cuidado com as calçadas de Caxias, principalmente no centro histórico da cidade. Muitos moradores simplesmente ignoram a legislação e vão construindo suas calçadas a torto e a direito. Resultado: em muitos lugares as pessoas têm que utilizar as ruas cheias de veículos para se locomoverem, diante das dificuldades de uso desses passeios públicos. Enquanto isso, na Câmara Municipal, desde a legislatura passada, parlamentares tentam reformar o Plano Diretor do Município, que está muito defasado, a fim de equacionar melhor os muitos problemas que Caxias vivencia na atualidade.
Essas situações, enfim, são coisas desses dias tormentosos que estamos vivendo, onde conflitos de toda a ordem e guerras são estimulados em vez de reprimidos; insensatos sonham com retrógrado autoritarismo e repudiam os regimes democráticos fortalecidos pela criação da Organização das Nações Unidas (ONU), há 80 anos. Quem imaginaria que a nação mais poderosa do planeta a partir do século 20, os Estados Unidos, fonte de inspiração democrática para o mundo, estaria no momento rasgando artigos da sua respeitada constituição, a título de criar uma autocracia na qual o peso do poder financeiro praticamente escraviza os endividados?!! Esses dias estão tão ruins que não será espanto o mundo entrar em guerra total mais uma vez.
Afastando, no entanto, esses presságios nefastos, por aqui ficamos no aguardo de mais ações do governo estadual para desenvolver nosso município. Nos últimos dias, o governador Carlos Brandão distribuiu grande quantidade de tablets para os estudantes da rede estadual ensino aprimorarem seus estudos; inaugurou o Centro de Ciências da Saúde da UEMA Comendador Alderico Silva, onde estudantes dos cursos de medicina e de enfermagem ganharam instalações apropriadas e mais comodidade, sem falar que o local, a partir de 2026, também abrigará os cursos de fonoaudiologia e terapia ocupacional da mesma entidade.
Estreitando laços com a intelectualidade local, Brandão reformou recentemente o prédio da Academia Caxiense de Letras, à rua 1º de agosto. Neste momento, o governante estadual também está à frente da reconstrução da nova avenida Pirajá, preparando-a para ser o cartão postal de uma das entradas de Caxias. Na Câmara Municipal, vereadores torcem para o governo estadual asfaltar muitas ruas que estão deterioradas na Princesa do Sertão, enquanto trabalhadores da cultura sonham com o funcionamento pleno de um grande teatro no antigo complexo da estação ferroviária do bairro Galeana, revitalizado por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias (IHGC), e realização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Para o teatro funcionar - e recuperar o prestígio do extinto Teatro Fênix, hoje em situação de completo abandono na rua Aarão Reis -, basta o governador doar um lote de 200 poltronas e aparelhagem de refrigeração em ar-condicionado. Desde que o Teatro Fênix ruiu, após ser inaugurado em fins do século 19, e funcionar até os anos 1970, Caxias nunca mais teve uma grande sala de espetáculos, à altura da sua tradição histórica e cultural. Portanto, a oportunidade é agora, até o fim do mandato do governador.
Por outro lado, convém destacar o trabalho que vem realizando o deputado caxiense Catulé Júnior (PP), sobretudo com exemplos que estão estimulando a bancada de quatro parlamentares por Caxias na Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA). Desde que assumiu o mandato, Catulé Júnior demonstrou preocupação com a segurança pública no Maranhão, e já destacou um milhão de reais de suas emendas para Caxias melhorar os dispositivos da Polícia Militar e da Polícia Civil do município. O parlamentar luta agora pela melhoria das estradas estaduais, sobretudo as que se acham no entorno de Caxias, e apoia com firmeza o trabalho de entrega de cartões do Programa Maranhão Livre da Fome à população estadual. Sua mais recente atividade trouxe a Caxias o Mutirão “Cuidar dos Olhos”, através do qual 1.500 pessoas foram atendidas com consultas gratuitas e triagem para cirurgias de catarata e pterígio.
Em função das atividades de Catulé Júnior, seu colega na ALEMA, Adelmo Soares (PSB), que é dentista profissional, programou um mutirão de prótese dentária em Caxias, ação centrada na Clínica Sorrir, do Governo do Estado, localizada na rua Clodomir Cardoso, no bairro Cangalheiro.
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