As reverberações dos últimos escândalos envolvendo recursos públicos continuam ecoando em Caxias. No meio da semana, refletindo o mesmo sentimento de indignação demonstrado na semana anterior pelo deputado Catulé Júnior (PP), na Assembleia Legislativa do Maranhão, foi a vez da deputada Cláudia Coutinho (PDT). Para a deputada, o colega havia pegado leve ao abordar o caso dos 50 milhões de reais subtraídos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) entre 2021 e 2025, recursos que, de acordo com a polícia federal, tiveram a participação do ex-prefeito Fábio Gentil (PP) e de sua companheira, a deputada Daniella Meneses (PSB), além de servidores do núcleo de confiança de FG na época em que foi prefeito e de outros municípios maranhenses.
Cláudia Coutinho classificou o ex-prefeito caxiense como um todo poderoso chefão da máfia do colarinho branco, identificando-o como o grande controlador do esquema que surrupiou muitos recursos de Caxias, esquema que já rendeu a subtração pela polícia federal, cumprindo ordem judicial federal, de veículos, cerca de 50 mil reais em dinheiro vivo, 350 mil reais em cheque, jóias e relógios aos envolvidos citados na operação, além de outros que os policiais já identificaram na cidade de Presidente Dutra, onde familiares de Daniella foram descobertos em movimentações de contas bancárias. Pedindo desculpas aos caxienses por haver participado da eleição de José Gentil Neto (PP), a parlamentar, ao expor sua opinião a respeito, deixou claro que o rompimento dela e do seu esposo, Ferdinando Coutinho, ex-prefeito de Matões, com o grupo gentilista, foi uma decisão inevitável.
Quando se esperava as consequências de tais acontecimentos, nesta semana, porém, em uma das proposições polêmicas aprovadas na Câmara Federal, deputados e deputadas costuraram acordos para aprovarem uma PEC da Blindagem, que tem por escopo protegerem da justiça parlamentares e lideranças partidárias ora investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso que já é conhecido como a malversação das emendas pix, no bojo da distribuição de cerca de 695 milhões de reais pelos municípios do país, conforme informou o relator da matéria, ministro do STF Flávio Dino. Em relação ao Maranhão, apenas três deputados federais disseram não à proposição. O resto da bancada votou sim, dentre os quais a jovem deputada federal caxiense Amanda Gentil (PP).
O fato não teria tanta repercussão, e poderia ter sido visto como um apoio demonstrado à maioria dos colegas, visando futuros apoios dentro da Câmara Federal. Órgãos da grande imprensa, no entanto, principalmente os sediados em São Paulo, repercutiram o fato da deputada mais jovem da Câmara Federal ter votado a título de resguardar alguma coisa em suas emendas enviadas para o Maranhão, sobre as quais pouco se tem conhecimento, já que parecem agendadas em verdadeiras caixas pretas. E acrescentaram a dúvida visualizando-a em charge anedótica da página política Coluna do Estadão, de O Estado de São Paulo (Estadão), edição de quinta-feira, 18 de setembro de 2025, onde aparece portando uma espécie de escudo policial para proteção contra eventuais ações do STF. Em nota, o jornal também fez referência a seus parentes e madrasta envolvidos no caso dos 50 milhões do FUNDEB. Ou seja: é ou não é muito escândalo para Caxias?
A questão como um todo foi abordada pelo vereador Catulé ao apresentador Jonas Filho no PodCast “Sai da Lama Jacaré”. E Catulé, claro!, disse que nunca tinha presenciado tantos escândalos em Caxias nos seus 40 anos de militante político no município. Aliado de primeira hora e principal avalista da candidatura de Fábio Gentil ao seu primeiro mandato na Prefeitura de Caxias, ele citou que àquela época o interesse de todos era retirar do poder uma oligarquia que dominava a região; lembrou que chegou a abrir mão de seus interesses pessoais e políticos, tendo inclusive se reconciliado com Paulo Marinho, com quem não falava há 28 anos; observou que os primeiros quatro anos da gestão de Fábio corresponderam aos interesses dos caxienses, mas deixou claro que tudo mudou no início do segundo mandato, principalmente com as traições aos acordos políticos assumidos com o grupo.
No entendimento do vereador decano do parlamento caxiense, depois disso o que se viu foi todo mundo metendo a mão no jarro, fazendo apropriação vergonhosa de recursos públicos, pessoas que não tinham nem um saco nas costas e, agora, com patrimônio invejável da noite para o dia, inclusive sem se importarem em se tornarem futuros alvos de investigações que por certo irão acontecer. Catulé também demonstrou a maneira de cooptação ao grupo gentilista, ressaltando que tudo começa com a pessoa recebendo 20 mil reais e depois seis mil reais por mês, ao longo dos anos. Para ele, é por isso que todo mundo vê político de carro novo, adquirido à prestação nas concessionárias de veículos. No que tange ao prefeito Gentil Neto, acredita que ele tem tudo para perder o mandato até o final do ano, por conta de fraude eleitoral em investigação. Nesse caso, uma nova eleição teria que ser realizada.
Com tanta coisa exposta, a expectativa dos que gostam de política se voltou para o podcast que Fábio Gentil compareceria na última sexta-feira, 19, com o mesmo apresentador Jonas Filho. Quem assistiu ao programa nas redes sociais, logo no início percebeu que o apresentador não estava à vontade como quando da participação de Catulé. Parecia que havia no recinto pessoas com disposição para controlar qualquer pergunta que viesse confrontar o entrevistado. E assim, o que se assistiu foi FG falar das maravilhas e das dificuldades que teve para, segundo ele, bem administrar Caxias. Em relação às visitas da polícia federal, aludiu que elas não passaram de investigações normais e tudo oportunamente será esclarecido, uma vez que nada tem a temer, pois nada fez de errado.
Sem dar resposta à acusação de traição feita pelo vereador Catulé, o ex-prefeito escolheu o vereador oposicionista Daniel Barros (PRD) como alvo da sua entrevista. Para ele, o Fiscal do Povo não tem moral alguma para fiscalizar a administração do Município de Caxias, e se transformou numa espécie de “stalker” vigiando-o continuamente, conforme demonstrado em vídeo no qual o vereador é filmado andando no sítio que comprou ao lado do seu na localidade Junco, a poucos quilômetros zona urbana de Caxias. Sinceramente, não foi uma apresentação de bom gosto, e que demonstra que alguma coisa não vai bem com a saúde e com a cabeça da liderança gentilista, pois ridicularizar o vereador da forma que fez só aumenta a sua aceitação diante do eleitorado.
No mais, lembrar que o grosso da bancada governista na Câmara Municipal bem que se esforça para superar os recentes acontecimentos escandalosos envolvendo Caxias. A ideia é deixar transparecer que tudo não passa de invencionices e armações que logo serão bem esclarecidas. No entanto, quando reiteram proposições que vêm sendo requentadas ao longo de anos, sem retorno para as pessoas que as reivindicam, é que se percebe o porquê do município estar caminhando a passos lentos e em franca deterioração. Basta olhar para sentir que é flagrante o estado deplorável de estradas vicinais, ruas, avenidas, prédios e logradouros públicos.
Contudo, vamos esperar que as coisas melhorem e nossa cidade possa estar em condições de realmente abrigar o eventual investimento de uma conhecida indústria de alimentos que estaria na eminência de beneficiar a macaxeira produzida no entorno de Caxias. Segundo otimistas, o empreendimento resultaria em 500 novos empregos e a macaxeira será adquirida de produtores num raio de 100 quilômetros da cidade.
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