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Coelho Neto e amigos em momento de descontração


Qualquer evento, passeio ou algum momento monótono de nosso dia a dia sacamos o celular e registramos a cena com nossos amigos ou então até mesmo uma ‘selfie’, para mostrar nas redes sociais. Para um jovem desta geração isso é tão comum quanto calçar um sapato. Isso só é possível com o avanço tecnológico que permitiu a integração de uma câmera fotográfica, ou melhor, de sua tecnologia dentro de um aparelho telefônico. Mas até cerca de 20 anos a realidade era bem diferente. Por volta de 2003, ainda dependíamos de uma máquina fotográfica e os rolos de filme e tínhamos que escolher o momento certo para a foto pois para ver, tinha que revelar (e pagar). Agora imagine isso há mais de cem anos atrás? 

Naquele Rio de Janeiro da virada do século XIX ao XX, existia um grupo de jovens proeminentes nos campos das letras que tinham grande influência na vida cultural, social e política da então capital brasileira. Eram através das colunas dos jornais, revistas e livros que eles ditavam os acontecimentos e os rumos que a nova República Brasileira estava tomando ou deveria tomar. Entre eles estavam nossos conterrâneos Coelho Neto e Arthur Azevedo, além de Olavo Bilac e Pedro Rabelo, quatro membros fundadores da Academia Brasileira de Letras, em 1897. 

Pelas ruas da cidade carioca o centro ainda era o local de moradia, trabalho e passeio, além dos antros de boemias onde aqueles jovens frequentavam diariamente seus cafés e bares para debater o cotidiano e o futuro do Brasil. Em um desses encontros, provavelmente no Passeio Público, resolveram registrar o momento de descontração. 

A primeira foto mostra o grupo reunido ao que parece em um dos bancos de pedra com seus detalhes barrocos, típicos na cidade até o século XIX.

Na segunda foto está a encenação da famosa pintura do artista flamenco Rembrandt, “A lição de anatomia do Dr. Tulp”, datada do século XVII. A cena jocosa mostra um momento de descontração daquele grupo de intelectuais em que resolveram homenagear uma obra de arte. O sabre nos punhos de Coelho Neto e prestes a perfurar Arthur Azevedo, foi emprestado de um dos guardas que fazia a ronda daquele ambiente. 

A foto pertencia ao acervo pessoal de Olavo Bilac. Não consegui identificar a data mas ela é anterior a 1905, data de falecimento de Manuel Antônio de Álvares de Azevedo Sobrinho e Pedro Carlos da Silva Rabelo, ambos presentes nas imagens.  

Grupo de intelectuais reunidos em um parque público no Rio de Janeiro.
Da esquerda para a direita: Álvares de Azevedo Sobrinho, Olavo Bilac, Pedro Rabelo, Plácido Junior, Leôncio Correa, Coelho Neto e Henrique Holanda. Sentado ao centro está Arthur Azevedo e ao seu lado também sentado Dr. Paranhos Pederneiras. Fonte: O Malho (RJ), 1919.
Encenação da obra “A lição de anatomia do Dr. Tulp”, do artista Rembrandt, de 1632.
Da esquerda para a direita: Olavo Bilac, Leôncio Correia, Henrique Holanda, Pedro Rabelo, Dr. Pederneiras, Álvares de Azevedo Sobrinho e Plácido Júnior. Deitado está Arthur Azevedo e em pé, Coelho Neto. Fonte: Acervo ABL.
Pintura original da obra do artista holandês. 


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