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Por mais bustos na ‘Panteon’


Panteão, do latim pantheon, palavra essa que é derivada do grego, significa “ ‘relativo a, comum, de todos’os deuses”. Consta em relatos na história, de que havia na Grécia antiga um monumento ou prédio com esta denominação para devoção ou homenagem aos seus deuses.

Panteão ou Pantheon, também é uma antiga construção da Roma antiga construída há cerca de dois mil anos atrás. O templo foi concebido para ser um local de culto aos deuses pagãos daquele regime. Mas com a queda do Império e a ascensão da Igreja Católica, seu prédio foi transformado na Basílica de Santa Maria dos Mártires. Em seu interior, além de belíssimas estátuas, estão enterradas ilustres personalidades das artes italianas. É uma das atrações mais visitadas da cidade de Roma. Em Paris, existe outra construção do século XVIII denominada Panteão de Paris. Assim como o da Itália, o Panteão da França era um templo religioso e que fora tomado e modificado com a Revolução Francesa.

Na virada do século XIX para o XX, o estilo de vida francês se tornou o que havia de mais moderno e luxuoso no Brasil. Aqui no Maranhão, os modos da elite francesa fora adotado pela nossa aristocracia tanto na moda quanto na cultura. Muitos termos linguísticos foram empregados em nosso país, sendo a palavra aportuguesada ou popularizada para Panteon.

Quando o antigo quartel militar situado no antigo Campo d’Ourique, centro de São Luís, foi demolido e em seu lugar construído a Biblioteca Benedito Leite, o amplo largo de frente para o novo prédio recebeu o nome de Praça do Pantheon, em 1954, por proposta do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. E ali foram assentados alguns bustos de personalidades maranhenses, como Coelho Neto, Maria Firmina dos Reis e Henriques Leal.

A nossa praça central, onde estavam situados os mais importantes prédios públicos da cidade, como: Prefeitura, Câmara Municipal, Tribunal do Juri e Delegacia, sem contar posteriormente a imponente fábrica têxtil da Cia. União Caxiense, foi o local escolhido para serem homenageados em forma de monumentos algumas de nossas personalidades históricas.

Largo da Carolina (ou Carolíndia), Largo do Quartel (depois Largo do Quartel Velho), Largo da Cadeia, Praça da Independência e Praça Predo II, foram alguns nomes já usados como topônimo daquele amplo largo construído por volta do final do século XVIII. Com a inauguração do busto do industrial Francisco Dias Carneiro, em 1947, mudou para Praça Dias Carneiro. Quando o Tenente Aluísio Lobo assumiu a prefeitura na década de 1960, e a praça reformulada recebendo melhoramentos urbanos, recebeu mais quatro bustos: Gonçalves Dias, Coelho Neto, Vespasiano Ramos e Duque de Caxias. O último fora retirado e se encontra atualmente na frente do Tiro de Guerra, no Morro do Alecrim. Ficaram então quatro bustos, cada um em um canto da praça, recebendo a todos que por ali passeiam.

O Panteão é um espaço dedicado, sobretudo, a veneração. Um tributo a todos aqueles que contribuíram de forma significativa para a elevação nacional. E aqui especificamente, a glória de nossa Caxias.

Em nossa terra, imortais é o que não faltam. E é por isso que a Praça do Panteon deve receber outros bustos além dos que ali estão. Nomes nacionais das letras como Teófilo Dias (Patrono de uma Cadeira da Academia Brasileira de Letras), do judiciário como João Mendes de Almeida (redator da Lei do Ventre Livre), Cesar Marques, Elpídio Pereira, e muitos outros que continuam como ilustres esquecidos em sua terra natal.

A associação Amigos do Patrimônio Caxiense – APC, que vem desenvolvendo significativo trabalho para a preservação da história e memória da cidade, em uma de suas intervenções denunciando obras irregulares em nosso centro histórico, entrou em um acordo com um dos responsáveis por essas obras, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, onde uma das exigências para a regularização de sua obra seria um benefício cultural para a cidade. Foi então que a APC propôs a confecção de três novos bustos a serem assentados na Praça do Panteon.

O critério para a escolha dos novos nomes se deu da seguinte forma: um ilustre reconhecido nacionalmente, uma mulher e um poeta contemporâneo. Nosso imortal escolhido foi Raimundo Teixeira Mendes, o filósofo positivista e idealizador da Bandeira Nacional. A mulher a fazer parte de nosso panteão será Laura Rosa, professora que aqui viveu e morreu, sendo a primeira mulher a assumir uma Cadeira na Academia Maranhense de Letras. O poeta contemporâneo escolhido foi nosso querido Carvalho Junior, que nos deixou prematuramente este ano. Cada um representando um segmento, uma diversidade artística que só nossa Caxias produz.

O acordo foi firmado no fim do mês de maio e o artista a confeccionar os bustos será Eduardo Sereno, responsável pela efígie do poeta Vespasiano Ramos que está na praça que leva seu nome. A ideia é inaugurar ainda este ano.

A praça é um local de passeio, de entretenimento, diversão e também de aprendizagem. Monumentos como esses, dedicados a figuras que ajudaram a construir o nome de Caxias, vai além de uma simples homenagem. Ajudam a contar as gerações futuras nossa memória, nossos valores artísticos e filosóficos. Nos aguça a mente em busca de conhecimento de nossa própria história, ajudando na preservação de nossos costumes, fazeres e sentires.

Que a Praça do Panteon seja esse local de devoção a nossos heróis. Por mais bustos na praça.


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