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Wybson Carvalho

Recanto do Poeta

Clemência ao Itapecuru


O rio refém

A parca víscera líquida sob a ponte

leva a magra lâmina doce ao destino corrente

para a imensidão gorda de boca gulosa

e estômago viciado à digestão salgada

Fome e sede do Itapecuru

Com quantos dentes mastigas as vidas

engolidas por ti no escorrego dessa garganta

de correnteza lenta de águas servidas

formando o esgoto com uma só víscera

que secará dia-a-dia

face à derrubada de tua cabeceira vegetal

expondo margens de areia quente 

sob mil sóis cáusticos

em contra partida

na simbiose maldita e mais rara

com agonia são retiradas de ti

vidas que saciam estômagos famintos

ao teu pasto serviçal de acasalados espíritos

em corpos vivos e armados com ferro e nylon

mergulhados na tua parca lâmina líquida

vestida e suprida de dejetos

que amputam os braços afluentes 

a oferecer veredas secas

à mesa de tua morte anunciada...

Mendigo

Em grito por água 

a voz rouca fugida da goela seca 

é a única canção da sede 

em quem estende a mão aberta

ao aceno por pão

para ocupar o vazio

habitat da fome.


Colunas anteriores

Uma crônica sobre papo de dois boleiros caxienses e seus veios artísticos, além do futebol

Sonhar é preciso...  “a vida é amiga da arte”... CV. Vez em quando, os homens de mente sã põem-se à imaginação utópica e chegam a realizar viagens sem bagagem material e, somente, em busca de dádivas possíveis. Pois bem!  Há algum tempo, sentado a uma mesa na confraria do Cantarelle, após ter deglutido várias doses do vinho da cana de açúcar, lembrei-me de dois...
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Data:29/11/2021 14:41

Clemência ao Itapecuru

O rio refém A parca víscera líquida sob a ponte leva a magra lâmina doce ao destino corrente para a imensidão gorda de boca gulosa e estômago viciado à digestão salgada Fome e sede do Itapecuru Com quantos dentes mastigas as vidas engolidas por ti no escorrego dessa garganta de correnteza lenta de águas servidas formando o esgoto com uma só víscera que secará dia-a-dia face à derrubada de tua...
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Data:23/11/2021 07:24

Folhas

Umas,  as arvorígenes caem  e  adubam o chão  para renascerem e abrigarem a quem em plácidas sombras  lhes possa contemplar outras, em celulose nos livros florecem o conhecimento a quem lhes lê o que lhes está escrito...!
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Data:15/11/2021 10:11

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