É hora da morte
À mão aberta
está o m do teu nome.
ele, em queda, esvai-se por entre os dedos
e derrama a final agonia pálida.
vem, covarde espelho do mistério
leva-me para o nada
de onde eu não deveria ter vindo.
O após
Amanhã, quando as demoradas horas
concluírem mais um dia,
a noite, urgentemente, irá propor
um sol errante que se apagará
antes da manhã rompida
e as nuvens escuras e intrometidas
virão separar um céu derramado em trevas
por sobre eu embrulhado num manto cinza
e sob a tempestade de um hoje
sem querer, novamente, acontecer.
Enterro inundado
Quando a infalível morte vier
e secar o líquido que correu
nos canais da minha natureza física,
quero, em último desejo, que meu féretro
aconteça em plácido percurso
sob um assassino vendaval e uma feroz trovoada: será o bravo tempo baldando-se
em um choro pavoroso
e sobre uma enxurrada correndo nas sarjetas do percurso à cova: será o tempo em solução às lágrimas derramadas pela vida que me fora apagada.
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O ser e a poesia advindos de mim
Minha poesia veste-me com essência sabedora ao interior de mime emudece meu grito ensurdecedor à negação que há nela.É a prisão na qual sou condenadoe estou a extrapolar-me, liberto, à ambiência alheia.É a imensidão em sal oceânico e chão cáustico, solitariamente desértico...É a diversidade de todas as minhas linguagens artísticas, sem plateia alguma...É a obra que, humildemente, ofereço à humanidade...É o ser a querer-se compartilhado a...
Angústia plagiada à naureana!
Abre-me a cova, espírito-poeta,enquanto uma estrela busca em mim,agora, a treva infinda,sem luz alguma no meu olhar a vê-la,nessa cegueira a ser da altura vinda.
Assim, espírito-poeta,adentrarei a noite a sabê-la:que, chegada a hora, o sonho será terra,o medo dirá seu último vintém,e o passado e o futuro serão guerrado inválido sobre a terra de ninguém.
Árvore gêmea à que em dor se enterra,a terra se abrirá em busca de outro além,e, unidos,...
Despercebido
Meu nome é poeira no canto da sala...Ninguém lembra,ninguém chama...Sou o eco de uma voz que se foinum sussurro ao vento, sem direção...
Mas eu ainda estou aqui,invisível, mas presente,esperando ser lembradoou, talvez, apenas esquecido novamente...!
Perda...
Lavo as mãos e perco tudo,em face de ser ignoradoe, por fim, esquecido...Sonho desfeitoe esperança perdida,enfim, decidido...!
Escrever poemas...!
Sim, o poema é isso:um extrapolar da vidaque se esvai no...