Incriminar o errado
julgando-o seu
sob o domínio.
Possesso é, pois, o réu
em submissão contínua
a calar-se ante a verdade
dita nos momentos errôneos.
Possessiva é, pois, a juíza
sem dar de si
um mínimo perdão
incriminado à condenação.
Construção em nicho
de qual nutrição se serviu a raiz,
para edificar o ser em barro?
... se, em lágrimas de sofrimento,
não basta a heterogênea mistura
de areia e cimento que arquitetam o esqueleto
na forma da armação
coberta de carne, nela, afixada
pelo molho do sangue.
é, pois, o nada, que restar do concreto
e tudo à eternidade.
Os poetas
Andarilhos sob um mesmo calvário.
anjos ou demônios terráqueos.
pretensiosos, querem adivinhar
a cor da ambiência celestial ou infernal.
inépcia, é a conclusão desse poema escrito.
Só existir
Desperto todos os dias já acordados em manhãs sem luz dentro e fora de mim...o vazio afótico do quarto me expulsa da ambiência sentida e amputada de ti...mendigando à saudade sigo morrendo na ausência testemunha sem nós...!
Despistar!
Solitário, almejo ser um enganador a fim de insistir, persistir e nunca desistir do desejo de enganar a dor...!
Safra à alma!
...sou semente...
Que linda alma tem o teu rosto / e eu a vejo na página dos teus olhos / a mirar e desejar versos numa folha em branco de papel exposto / à vista deles em ti e a mim...!
De vós para mim...
...quem me amar guardar-me-á na alma,...quem me gostarguardar-me-á na lembrança,...quem me odiarguardar-me-á no instinto...!... meu tempo eterno está nos poemas que vive e escrevi sob às cenas protagonistas do meu espetáculo humano.... e...
Pedaços de um eu algum Há no meu eu o pulsar de um desejoe no qual há, ainda, o quê, agora, almejo;que o fim do somatório da minha dornão interrompa os gritos do clamor; face a um pedaço ser bem emudecido em mim,e o meu outro resto é ouvido, mas ruim... A sinfonia que me invade desde o nadaé bem-vinda, ainda que quase desafinada;e eu a quero para sempre almejadaainda que pouco executada;face a um pedaço...