Caxias-MA 04/04/2025 18:13

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Wybson Carvalho

Recanto do Poeta

A importância da produção literária local


Caxias do Maranhão é uma cidade que, ainda hoje, serve de referência para o país quando o assunto é a Literatura, é o berço de uma considerável plêiade de escritores e poetas de grande expressão e produção literária no cenário nacional, a exemplo de Gonçalves Dias, Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX. Dois dos quais - Gonçalves Dias e Teófilo Dias - são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras. Mas, Caxias insiste em dar à luz a novos escritores e poetas e pode ser chamada, sem exageros, de “cidade maranhense dos escritores e poetas”, dentre os quais: Salgado Maranhão, Jacques Medeiros, Edison Vidigal, Firmino Freitas, Libânio da Costa Lobo, Gentil Meneses, Luis Carlos Santos Sales, Maria Gema de Carvalho, Adailton Medeiros, Déo Silva, Cid Teixeira de Abreu, José de Ribamar Cardoso, Antônio Augusto Ribeiro, Anecy Calland Serra, Maria das Graças Costa e Costa, José de Ribamar Corrêa, Glória Corrêa, Antônio Pedro Carneiro, Edmilson Sanches, Raimundo Borges, Arthur Almada Lima Filho, João Machado, José Ribamar R. Brandão, Joseane Maia, Iris Nendes, Frederico Ribeiro Brandão, Wybson Carvalho, Raimundo Nonato Medeiros, José Ribeiro Brandão, Naldson Carvalho, Inês Maciel, Elany Moraes, Renato Meneses, Jotônio Viana, Morano Portela, Jorge Bastianni, Silvana Meneses, Quincas Villaneto, Isaac Sousa, Ezíquio Barros Neto, Raimundo Palhano,  Ruy Palhano, Alzenira Pinho, Raquel Pinho, Deusimar Serra, Ana Rosária, Alberto Pessoa, Carvalho Jr. e outros tantos... 

Dois desses escritores com uma produção literária reconhecida, nacionalmente, Gonçalves Dias e Raimundo Teixeira Mendes, através de suas produções literárias, nos eternizaram em dois dos principais símbolos nacionais: a Bandeira Nacional Brasileira e o Hino Nacional Brasileiro. 

Na nossa Bandeira há a insígnia "Ordem e Progresso" extraída do lema positivista religioso brasileiro, ou seja: proclamada a republica em 1989, o filósofo e escritor caxiense, Raimundo Teixeira Mendes, além de idealizar a nossa flâmula oficial escreveu a ela um lema: - "o povo brasileiro, assim como a maioria dos povos ocidentais, se acha, vivamente, solicitado por duas necessidades, ambas imperiosas, e que se resumem em duas palavras: "Ordem e Progresso".

E no nosso hino nacional há em uma das suas estrofes dois versos extraídos da "Canção do Exílio"; escrita pelo poeta Gonçalves Dias... - "nossos bosques têm mais vida e em nossa vida " em teu seio" mais amores". Tais características cívicas são uma unicidade da produção literária caxiense que nos dá orgulho para nossa nação e para o canário mundial intelectual.

Portanto, podemos afirmar que a literatura é uma poderosa ferramenta de transformação. Quando carrega referências capazes de criar uma identificação com o leitor, esse poder se torna ainda mais expressivo. A literatura é capaz de criar, com maestria, um intenso entendimento empático, responsável por uma formação mais consciente que nos remete a um pertencimento do contexto produtivo quando usufruímos dela, através da leitura.

A produção literária, através de todos os gêneros da literatura: romance, poesia, prosa,  crônica, conto, novela e outros... é essencial para a construção de uma nova, e, no entanto, permanente sociedade caxiense local instruída e produtiva porque a literatura se confunde com a própria humanidade. Na literatura são reveladas as dores, as angústias, as alegrias, as tristezas do ser humano. Então, sem literatura não se pode ter humanismo e sem humanismo não há uma sociedade local justa, correta, e principalmente, avançada. Então, o que a gente quer é difundir o autor local e colocar esse esses livros na escola pública como base curricular. Mas para isso, precisamos do apoio do poder público aos entes federados: união, estados e municípios. Nossa história, cultura e tradições têm que ser contadas por um de nós.

Como é possível realizar uma mediação adequada para formação de novos leitores? Para isso, precisamos de apoio maior do poder público municipal, estadual e federal. Mesmo assim, a Academia tem feito sua parte, não só para o público infantil, como também para o público adulto. Em época de fácil acesso à internet, é preciso apresentar a leitura como algo prazeroso. O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que devemos sentir prazer na companhia do livro. Para isso, pode ser o tipo de escrita que cause identificação, pode ser romance, biografia, literatura de ficção.

O importante é que se incentive o hábito de leitura em qualquer idade, em qualquer época e em qualquer local. A produção literária não deve ficar presa aos espaços acadêmicos, a uma elite cultural. Temos que ir à praça, como dizia Castro Alves... "a praça è do povo" , portanto, temos que plantar a poesia na praça, o romance no parque, nas ruas, nas avenidas, nas escolas públicas e privadas. Porque é como ressaltou Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros”.

A Poesia e o Poeta 

 “A poesia é a arte da linguagem humana, do gênero lírico, que expressa sentimento através do ritmo e da palavra cantada. Seus fins estéticos transformaram a forma usual da fala em recursos formais, através das rimas cadenciadas. A poesia faz adoração a alguém ou a algo, mas pode ser contextualizada dentro do gênero satírico também. Há três expressões de poesias: as existenciais, que retratam as experiências de vida, a morte, as angústias, a velhice e a solidão; as líricas, que trazem as emoções do autor; e a social, trazendo como temática principal as questões sociais e políticas”.

Mas, eminentemente, a poesia é arte e exercício humano/espiritual. Quanto ao questionamento conceitual sobre esse contexto, temos a certeza: Bertoldo Breath se fosse questionado por alguém a respeito do conceito de o quê é a poesia, certamente o questionador já obteria sua resposta - “poesia é o próprio homem/trabalhador e, em realidade, há homens que trabalham anos e anos; esses são considerados bons / há homens que trabalham anos e anos; esses são considerados muito bons / e há homens que trabalham sempre; esses são imprescindíveis...”. 

Portanto, a poesia é um produto do esforço psicofísico humano. O mesmo questionamento, feito a Henfil, é claro, também, ele já nos responderia: - “poesia é arvore de vida e, em realidade, se dela não houver frutos, valerá o perfume e a beleza das flores; se dela não houver flores, valerá a sombra e o abrigo das folhas; e, se, dela não houver frutos, flores e folhas, valeu a intenção da semente...”. Embora a poesia, é claro, também, produto natural do esforçado cio da terra.

Mas, ser poeta é ser o quê?

Segundo o sábio professor, poeta e jornalista maranhense, Alberico Carneiro, se é atualíssima, ainda hoje, a teoria de Aristóteles sobre a arte da poesia ou da poética, apresentando-a como imitação, transformação ou mutação da realidade vista por outro ângulo, o poeta é uma espécie de mago, feiticeiro, bruxo ou encantador. Desse ponto de vista, ele, o poeta, pode transfigurar a linguagem da semântica, isto é: fazer com que as palavras, à maneira dos camaleões, passem por um processo mimético ou do mimetismo. E, assim, como camaleão, que, para preservar-se dos predadores mais perigosos, adapta a coloração da pele à cor do ambiente, para fingir e confundir-se com a paisagem, também o poeta faz com que as palavras imitem a realidade, procurando inseri-las no contexto semântico que corresponda à contemporaneidade.

O poeta Português, Fernando Pessoa, traduz esse paradoxo ou ambigüidade aristotélica sobre o ato da imitação à realidade: - “o poeta é um fingidor/finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente”.  

Já o poeta ludovicense, Nauro Machado, outro ser humano-cultural incompreendido em seu tempo, se confessa e, portanto, explica: - “a dor de ser poeta/ do ser fatal/ a dor de ser feroz/ é instante só/ mas que no ser demora e dura e fere/ para que mais doa”. 

E o conterrâneo e poeta-camaleão, Salgado Maranhão, se faz poetar nas coisas: - “As coisas querem vazar o poema/em sua crosta de enredos, as coisas querem habitar o poema/para serem brinquedos. Chove nas fibras de alguma essência secreta e o poema rasga a arquitetura do poeta”

O ser e a poesia advindos de mim

Minha poesia veste-me com essência sabedora ao interior a mim
e emudece meu grito ensurdecedor à negação que há nela.
é a prisão na qual sou condenado
 e estou a extrapolar-me liberto à ambiência alheia.
é a imensidão em sal oceânico e chão cáustico, solitariamente, desértico...
é a diversidade de todas minhas linguagens artísticas sem platéia alguma...
é a obra que, humildemente, ofereço à humanidade...
é o ser a querer-se compartilhado a quem me necessitar...
e meus versos? - são partes extraídas de minha alma inteira a se mostrarem inibidas aos outros seres 
sem aceitação nenhuma!
o que é minha poesia?
é a somatória das imagens etárias do passado encontrado no presente, 
são escritas na negação imagética do futuro.
obrigando-me, fielmente, a negá-la em mim tal qual confissão ausente.

Analfabetismo editorial

Há em mim
poemas para o mundo
condenados  ao desconhecimento profundo
escondidos
esquecidos
sem algum encanto
ganharam na gaveta do móvel  só um canto
imundo
vagabundo
quais enterrados à sepultura
pois lhes fora negada a leitura!

Tripartite  do ser

O quê é para ser falado
minha alma brada a voz.

O quê é para ser calado 
minha atitude cala à vos.

O quê não  pode ser almejado
minha razão desistiu de nós.


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