A segurança pública, há muito tempo, deixou de ser uma preocupação restrita aos grandes centros urbanos. O tema passou a dominar não apenas os noticiários nacionais, mas também as conversas cotidianas nas praças, nas redes sociais e nas pequenas cidades do interior. É um sintoma claro de que a sensação de tranquilidade, antes uma marca de muitos municípios brasileiros, vem sendo substituída pelo medo e pela incerteza.
Há duas décadas, ainda era possível encontrar lugares pacatos, onde a criminalidade parecia um problema distante. Hoje, no entanto, até os cenários mais bucólicos convivem com a violência que se espalha, impulsionada pelo avanço das facções, pelo tráfico e pela ausência de políticas públicas integradas e permanentes.
O que se vê no Rio de Janeiro, com as operações policiais que lembram verdadeiras batalhas urbanas, é apenas a face mais visível de uma crise profunda. A recente ação que resultou em um número recorde de mortos e presos é mais um capítulo de uma guerra que se repete, sem vencedores e com uma população que segue refém do medo. No Ceará, até cidades religiosas e pacíficas, como Canindé, destino de romeiros de São Francisco, foram transformadas em palco de confrontos entre facções e forças policiais. A conclusão é dura, mas inescapável: não há mais territórios imunes à violência no Brasil.
No Maranhão, a realidade não é diferente, embora o estado apresente índices menores que os de outras regiões do país. Mesmo assim, a criminalidade avança, alimentada por desigualdades, disputas políticas e por um discurso fácil que tenta transformar um problema estrutural em arma eleitoral. É preciso reconhecer que a situação é grave e exige mais do que críticas apressadas ou acusações nas redes sociais. O momento pede serenidade, planejamento e, acima de tudo, diálogo.
Em tempos de “especialistas de WhatsApp”, que apontam culpados e vendem soluções simplistas, é necessário resgatar o debate qualificado sobre segurança pública, aquele que envolve os poderes constituídos, as instituições e a sociedade civil. A segurança não é uma pauta exclusiva de governos ou forças policiais; é uma questão coletiva, que passa por educação, inclusão social, políticas preventivas e valorização dos profissionais da área.
Nesse sentido, é importante destacar o exemplo do governador Carlos Brandão, que tem buscado conduzir o tema com responsabilidade e abertura ao diálogo. Recentemente, Brandão promoveu ações integradas de segurança e reuniu autoridades estaduais, representantes do Judiciário, do Ministério Público e da sociedade civil para discutir o problema e traçar caminhos conjuntos. Essa postura de articulação e escuta representa o que o momento exige: união em torno de um pacto pela vida, pela paz e pela reconstrução da confiança entre Estado e cidadão.
A crise da segurança pública não se resolverá com improvisos nem com discursos de ódio. Ela demanda planejamento, investimento e integração entre forças, mas, sobretudo, vontade política e compromisso coletivo. É hora de abandonar a retórica da guerra e adotar a cultura da cooperação, porque, no fim das contas, a paz não é obra de um governo, mas de toda uma sociedade que se recusa a se render ao medo.
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