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Jesus Andrade

Professora e presidente do Conselho de Direitos da Mulher

A cultura da violência contra a mulher: luta e resistência


“Não é a violência que cria a cultura, mas é a cultura que define o que é violência. Ela é que vai aceitar violências em maior ou menor grau a depender do ponto em que nós estejamos enquanto sociedade humana, do ponto de compreensão do que seja a prática violenta ou não.” (Luiza Bairros)

Nessa direção, podemos destacar que as mulheres, durante muito tempo, ficaram aprisionadas ao papel, quase que exclusivo, de mãe e esposa. Todavia, se faz necessário pontuar que a mulher não tem um destino biológico, ela é construída dentro de uma cultura que define qual o seu papel no seio da sociedade. Infelizmente, a História nos mostra que as mulheres foram submetidas às vontades masculinas e inferiorizadas pelo que a sociedade entendia como a “fragilidade do sexo”.

Nesse contexto, a violência contra a mulher pode ser notada de diversas formas, seja ela sentida por meio da submissão, do assédio, exploração sexual, estupro, tortura, agressões por companheiros ou ex-companheiros e até por  familiares, logo pode chegar ao extremo, no caso do feminicídio. Sob diversas formas e intensidades, a violência contra as mulheres é recorrente e presente em muitos países, motivando graves violações de direitos humanos e crimes hediondos.

Portanto, destacamos que nos últimos anos, a violência contra as mulheres no Brasil e em muitos países, vem se delineando como um assunto que vem ganhando notoriedade e reconhecido como problema que atinge a população feminina em qualquer parte do planeta, não conhece barreiras geográficas, econômicas e socioculturais, logo independe de raça, cor, etnia, idade ou classe social, todas podem estarem sujeitas a qualquer tipo de violência.

A desigualdade entre mulheres e homens é estrutural, logo a violência tem origem na constituição desigual dos lugares de homens e mulheres nas sociedades, assim sendo a desigualdade de gênero, tem implicações não apenas nos papéis sociais exercidos entre os sexos, que influenciam comportamentos, mas também na relação de poder que inferioriza as mulheres em detrimento da super valorização dos homens. Tal valorização está tão sedimentada que naturaliza e legitima e banaliza a violência contra a população feminina.

A violência contra as meninas e mulheres é banalizada e percebida pela sociedade como algo que naturalmente faz parte da vida. Mulheres, meninas e jovens negras sofrem violências frente à combinação de múltiplas formas de discriminação e desigualdades. Infelizmente, as mulheres são vítimas de violência simplesmente, porque são mulheres, fato esse que nos causa um misto de sentimentos negativos, dentre os quais se destaca a dor frente a essa grave problema de saúde pública.

Portanto, a violência, que diariamente chega a ceifar precocemente a vida de muitas mulheres, pode ser considerado um fenômeno social e cultural, pois não são casos isolados ou episódicos, mas inseridos num contexto de violência que limita o desenvolvimento livre e saudável de meninas e mulheres. O enfrentamento às múltiplas formas de violência contra as mulheres é uma importante demanda no que diz respeito a condições mais dignas e justas para as mulheres.

Vale lembrar que é dever do Estado e historicamente uma demanda da sociedade lutar contra todas as formas de violência contra as mulheres. Combater e resistir a todas as formas de violação dos direitos das meninas e mulheres devem ser preceitos fundamentais de um país que preze por uma sociedade justa e igualitária entre mulheres e homens.

A sociedade não pode perder de vista o direcionamento de suas ações que deve seguir três pilares fundamentais, o da prevenção, da atenção à mulher em situação de violência e também o da punição, visto que de maneira alguma não se pode banalizar esse crime, que é uma grave violação de direitos humanos das mulheres.

Assim sendo, considerando esse contexto desfavorável para vivermos com dignidade e sem violência, é preciso acreditar na mudança cultural da sociedade patriarcal que estamos inseridos, onde o poder do macho ainda prevalece. Nessa direção devemos continuar acreditando na luta e resistência, principalmente da população feminina, para tanto, conclamamos que todas e todos unam-se pelo combate e o fim de todas as formas de violência contra as meninas e mulheres.


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